Saúde ao alcance de todos


O homem do novo milênio descobre cada vez mais a importância dos bons hábitos para a conquista e a manutenção da saúde. Ao mesmo tempo em que a ciência descobre novos medicamentos e desenvolve tecnologia para tratamentos modernos, capazes de efeitos extraordinários, a consciência de praticas saudáveis de vida é defendida por especialistas como fonte de energia, saúde, longevidade e juventude.

Estudiosa da saúde há 40 anos, a médica endocrinologista e geriatra Odilza Vital percorre o mundo em busca de descobertas que possam perpetuar e melhorar a qualidade de vida de seus pacientes. Atuante na comunidade médica internacional, participa com freqüência de encontros simpósios e congressos sobre vários temas.

Autora de vários livros, entre eles “De mulheres para mulheres” e “Emagreça para sempre”, ela desenvolve trabalhos interessantes nas áreas do emagrecimento, rejuvenescimento, geriatra e medicina da mulher. É sobre alguns deles que ela conversa com a FOLHA DE NITERÓI.

FOLHA DE NITEROI- A senhora é uma grande defensora dos bons hábitos de vida, como alimentação saudável, exercícios físicos e desenvolvimento de vida espiritual. De certa forma, são atitudes ao alcance de todos. Para a senhora, nem tudo se resolve na farmácia?

Odilza Vital
– Não  acho que a farmácia deva ser colocada em primeiro plano. Sou a favor do uso de suplementos nutricionais, mas acho que estes vão complementar os bons hábitos que, na realidade, como você disse, são medidas muito simples, mas que o homem moderno tem muitas vezes esquecido no seu cotidiano, talvez pela grande competitividade que tem –se estabelecido nos últimos tempos.

FN-  A sua constante busca da medicina, que pode ser constatada pela sua permanente participação em encontros internacionais, reforça sua visão da saúde como um todo?

OV
- Talvez, até por intuição, eu sempre tenha feito uma medicina holística, acreditando que a saúde só pode ser alcançada, em toda sua plenitude, quando existe um equilíbrio da mente, corpo e espírito. Felizmente, o que se vê hoje em dia é uma abertura cada vez maior de espaço para essa teoria. A ida freqüente a seminários e congressos fora do país me permite uma informação médico-científica com menor interesse de grandes grupos manipuladores.

FN- Como é o trabalho que a senhora vem desenvolvendo sobre a saúde da mulher, em especial a reposição hormonal. Ela é necessária? Causa riscos?

OV
- Tenho tido a oportunidade de desenvolver estratégias, inclusive pronunciei uma palestra na UNICEF quando lancei a minha fundação nos Estados Unidos sobre “Mães que sofreram perda”. É um tema extremamente importante, pois a saúde da mulher e da família em geral, fica extremamente ameaçada quando ela perde um filho e não tem o suporte emocional e psicológico adequado. Numa certa fase a mortalidade nesse grupo ´pode ser 400 vezes maior do que no grupo que não passou por essa tragédia.

Em relação à reposição hormonal, acho que o pais inteiro sabe da minha posição, pois já tive oportunidade de comentar o assunto ate no programa do Jô Soares. Estou chegando do Congresso Mundial de Endocrinologia e Metabologia, e é voz corrente entre os colegas de especialidade que todo e qualquer hormônio deve ser monitorado pelo endocrinologista, para ate que se evite o fiasco que ocorreu com a reposição hormonal da mulher há dois anos. Imagine se eu resolvesse operar um paciente com fratura de colo de fêmur?

Meu livro “De mulheres para mulheres” ficou um ano e meio na prateleira sem ser publicado porque eu já afirmava, em 1999, que reposição com hormônios sintéticos aumentava a incidência de câncer de mama. Até uma revista medica local recusou um trabalho cientifico em que eu denunciava o fato. A reposição hormonal é um tratamento e, portanto, não pode ser estardantizada. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

FN- A senhora é uma pesquisadora e foi uma das primeiras a falar sobre anti-envelhecimento e longevidade no país. Como chegou até aqui?


OV
- Logo que foi criada a Sociedade de Anti-envelheciento, nos Estados Unidos, eu passei a freqüentar seminários e congressos. Morava lá, na época. Descobri logo que eu já fazia tudo o que era preconizado, mas como a especialidade “Antiaging” não é reconhecida pela Associação Médica Americana e nem pelo nosso Conselho Federal de Medicina resolvi fazer uma Pós-graduação de Geriatria e Gerontologia, na UFF, para ter uma formação mais acadêmica.


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