A MENOPAUSA MOSTRA SUA CARA…
E AÍ?

Elisas, Clarisses, Marilanes, Amélias...
Sim, estamos todas num mesmo caminho. E podemos ser surpreendidas, a qualquer momento, depois dos trinta e cinco anos, por suores fortes e intensos, depressões inexplicáveis, perda da vontade sexual, insônias, esquecimentos, ressecamento vaginal e o surgimento de pequenas manchas na pele do corpo e do rosto.
São comuns também o aumento do cansaço físico e da flacidez muscular.
É a pré-menopausa nos rondando, nos chamando para um novo ciclo de vida. Vida essa que pode se transformar num tormento, nos transformar em mulheres que nunca imaginamos ser. E podem ter certeza: este "pré" pode durar pouco, e logo, logo, mostrar a intensidade da "menopausa".
Muitas vezes brincamos assim:
"Fulana! Ah, essa só pode estar na menopausa..."
Comentário que sempre nos remete a atitudes duvidosas ou esquisitas da tal fulana. Mas quando temos que enfrentar esse novo furacão nas nossas vidas tudo fica diferente. Parece que fomos levadas à força para o túnel de um tempo que sempre imaginávamos longe, muito distante de nós.
Mas, quase sempre, quando percebemos , ela já chegou e não há mais como nos separarmos dela.
É na fase da pré-menopausa e também da menopausa que a mulher mais se questiona, põe à prova tudo o que aconteceu com ela durante quase uma vida inteira.
Conheci algumas que falavam da chegada da menstruação como se o primeiro absorvente tivesse entrado na rotina delas, ontem.
E quantas lembranças!
E quantos questionamentos!
Se lembram do primeiro namorado. Do primeiro beijo. Da primeira relação sexual.
E se lembram de mais …
Dos abortos e dos filhos que poderiam ter tido, ou não, e que foram rejeitados, das entregas, das falsas ilusões, dos sonhos que nunca passaram da imaginação.
É um tempo de análises e avaliações pessoais.
Afinal, a menopausa na vida de qualquer mulher traz à tona uma idéia, que não é verdadeira, a de que "eu, como mulher, acabei. Estou no fim da linha. Minha função principal, a de procriar, terminou."
Desde que a primeira mulher apareceu no mundo, nasceu para procriar. É função religiosa, biológica e para muitos, inquestionável.
Por isso a menopausa representa muito mais para nós.
É muito maior do que possamos supor.
Mesmo para aquelas mulheres que nunca pensaram na maternidade e nunca se imaginaram no papel da procriadora, quando chegam neste período da vida, se põem na parede.
Se interrogam.
Querem saber se realmente agiram certo.
A menopausa é como se fosse o seu tempo de se mostrar.
Ela tem o poder de trazer até você tudo o que aconteceu, os caminhos que a vida tomou, os rumos que você escolheu para os seus dias futuros.
Não conheço nenhuma mulher que não tenha passado por isso.
Às vezes elas escondem delas mesmas, mas este "tapar o sol com a peneira" dura um tempo limitado. De uma hora para outra, todas se deparam com a pergunta:
Será que fiz o certo?
Será que agi honestamente comigo?
Me recordo bem de uma mulher super bem resolvida com ela mesma. Profissional brilhante. Uma artista em seu pleno vigor. Estava amando intensamente. Sua namorada, uma outra mulher forte, igualmente competente.
As duas estavam juntas há mais de dez anos.
Passaram por várias crises amorosas, comuns a todos os casais, e conseguiram superar todas.
A cada etapa vencida, o amor surgia ainda mais forte.
Tinham, sim, interesses juntas além do emocional e sexual. Possuíam a mesma conta bancária, as mesmas responsabilidades financeiras, o mesmo princípio de honrar sempre os compromissos de contas a pagar.
Não dividiam só o mesmo teto, a mesma cama, o mesmo talão de cheques…
Compartilhavam a vida.
Com idades próximas, caíram no mesmo buraco negro a que todas nós estamos sujeitas.
Tiveram que enfrentar os anúncios não agradáveis da menopausa.
Curioso o que aconteceu com esse casal.
As duas entraram em profunda crise existencial. E as mesmas perguntas, os mesmos questionamentos apareceram.
O prenúncio da não-menstruação é perturbador.
O fato de não terem procriado, de não terem dado prosseguimento à vida, faz com que este período fique mais difícil ainda, pois é quando o corpo decide pôr um ponto final nesta possibilidade.
Muitas das mulheres que escolheram a relação homossexual chegam a ficar profundamente deprimidas.
E como é difícil para elas se convencerem de que a não maternidade foi uma escolha, num determinado tempo de suas vidas, cheia de convicção e sinceridade com elas mesmas.
Se hoje, com o desenvolvimento da ciência e com a rapidez da informação, ainda nos assustamos diante dos fantasmas que a menopausa nos apresenta, imagine você como sofreram as mulheres de não "tão antigamente" assim.
As avós, que sempre têm uma boa historinha para contar, costumam relatar que lá pelos anos 40, 50, conheceram uma amiga da amiga, uma prima da tia, uma vizinha da cunhada que, numa certa idade, na danada da "meia idade", ficou louca.
Dizem elas que a loucura da criatura foi provocada pelas regras, pela falta do incômodo, enfim pelas falhas ou o fim da menstruação.
E uma frase sempre aparece nesses relatos:
"Ela enlouqueceu porque as regras subiram para a cabeça".
Os efeitos da menopausa eram assim tratados.
O que hoje sabemos ser o aumento da irritabilidade, da sensibilidade, do desaparecimento do apetite ao sexo e da facilidade com que a depressão se instala eram considerados loucura por muitos.
A menopausa como fenômeno social e médico surgiu apenas na segunda metade do século XX. Isso porque a expectativa de vida da mulher em 1900 não passava dos 40, 45, anos - justamente as fases da pré menopausa e da menopausa.
A Segunda Guerra Mundial, acredite, ampliou não só a possibilidade da mulher viver mais, mas, também com melhores condições de vida.
Durante e depois da guerra surgiram novas tecnologias, a ciência se expandiu, chegamos à era dos antibióticos e a saber o que era prevenção.
Sim a prevenção.
Essa palavrinha que fez crescer a expectativa de vida da mulher em pelo menos 30 anos, mesmo nos países ainda em desenvolvimento.
Num primeiro momento só as mulheres mais abastadas tiveram acesso aos novos conhecimentos da medicina. Pouco a pouco, o atendimento foi se expandindo e derrubando tabus e barreiras centenárias.
A partir de 1960 as pesquisas em busca da pílula anticoncepcional levaram os cientistas aos hormônios sintéticos, os grandes combatentes das conseqüências da menopausa.
Já no final dos anos 60 a ciência liberou aos médicos o tratamento de reposição hormonal para atenuar os sintomas das ondas de calor, da irritabilidade, da insônia, da depressão e do ressecamento vaginal.
Foram anos de grande modernidade para a saúde da mulher mas também de muitas incertezas e resultados nem sempre tão favoráveis assim.
Nessa época as mulheres procuravam os médicos com as queixas próprias da menopausa e a elas era dado hormônios sintéticos sem o devido controle, como avaliações e exames de sangue periódicos seguindo um critério de tratamento e acompanhamento.
Não havia o compromisso de consultas regulares.
Pouco tempo depois a triste constatação: os efeitos colaterais dos hormônios sintéticos aumentaram a incidência dos carcinomas, os tumores malignos, nos ovários, no endométrio e nas mamas.
São más notícias que ainda nos rondam. Volta e meia encontramos alguém que nos lembra um artigo, um comentário, um diagnóstico que nos afasta dos consultórios em busca de uma saída para tanto desconforto. Muitos ginecologistas ainda insistem em não recomendar a reposição hormonal. Outros não só acreditam como não duvidam dos resultados.
Diante de tanta controvérsia, o que fazer?
Como podemos nos prevenir?
Qual a idade certa, ou o momento exato, de procurarmos um médico?
Qual é a melhor especialidade médica para nos cuidar?
Respostas para tantas dúvidas você vai encontrar nas próximas páginas.

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