LIVRE DO ÁLCOOL
ME VI OUTRA MULHER

Imbuída de forças que nem posso explicar a você exatamente de onde vieram comecei a reerguer meus objetivos. Reencontrei minha meta.
Minha vida.
Concluí que não poderia delegar a ninguém as decisões que precisava tomar.
Caberia a mim, só a mim, decidir meu rumo.
Retomar o leme, desgovernado, e o direcionar para o rumo pretendido por mim.
Posso garantir: como vale a pena!
Como nos sentimos realizadas nos pequenos progressos que passam a se apresentar.
Uma das primeiras decisões, me recordo bem, foi vender a minha casa para saldar as dívidas contraídas por negócios mal feitos, dívidas do meu marido feitas em meu nome…
Sim, você dirá, quanta ingenuidade!
Pagar contas e emprestar dinheiro para o marido e quebrar a cara…
Sim.
Corremos este risco.
Não é nenhuma vergonha.
Apaixonadas, fazemos coisas que até Deus, do alto da sua sabedoria, poderia duvidar de que seríamos capazes.
Somos como todos os outros, sujeitas ao que o coração pede.
Nenhuma novidade nisso.
Saiba você que no meio deste enfrentamento afetivo com o meu marido ele me disse que o motor, de seu carro, um Volvo 86, tinha fundido e que ele não podia mais trabalhar porque estava sem carro.
Imediatamente perguntei a ele:
- quanto custa um carro novo? Ele respondeu na ponta da língua: 13.500 dólares mas que só possuía 2 mil dólares.
Imediatamente fiz um depósito do restante.
Alguns meses depois cheguei lá e encontrei um belíssimo Taurus e nenhuma das minhas exigências cumpridas.
O carro não estava no meu nome, ele não tinha comprado o caro veículo, isto é, tinha feito um leasing, com inúmeras prestações a serem pagas…
Com o processo da minha aposentadoria resolvido,
precisava recuperar o tempo perdido.


Ainda não tinha readquirido a minha força de colocar um ponto final naquela relação que só me desgastava.
Precisei ainda de um tempo para ver os fatos claramente.
Para ganhar tempo aliei meus conhecimentos médicos ao curso de esteticista.
Não tinha terminado as provas que me licenciava para ser médica nos Estados unidos.
Foram tempos difíceis.
Meu marido continuava bebendo.
Eu não.
Graças a Deus.
Com isso as discussões só aumentavam.
Numa noite, ele tentou me bater. Levantou a mão na minha direção e eu gritei:
- Se você me bater irei à delegacia. Farei uma queixa contra você.
Abri a porta, expulsei-o de casa.
Passou a noite na rua e eu pensando no que estava fazendo comigo, até que fui surpreendida por um imenso barulho.
Ele tinha quebrado o vidro da janela para tentar entrar em casa.
Liguei para a delegacia e pedi proteção.
O dia amanheceu e eu decidi:
Telefonei para a companhia aérea, marquei minha passagem, cancelei o curso e embarquei rumo ao Brasil.
Foram três meses de ligações e ele me pedindo para voltar, me pedindo perdão.
Eu sabia que continuava amando aquele ser que nem eu sabia explicar mais o que era.
Perdoava-o com frequência.
Duelava entre a emoção e a razão.
Num dia me vi pega pela emoção.
Decidi jogar a última carta.
Voltei para os Estados Unidos. Para a casa que um dia tinha sido minha também.
Descobri lá que ele não tinha pago devidamente o Imposto de Renda Americano. Infração séria. Ele foi notificado e teve o passaporte confiscado. Não poderia mais sair do país.
Continuei morando com ele, mesmo muito distantes um do outro.
Passei a dormir em outro quarto.
Mesmo com todos os problemas eu tinha conseguido criar uma empresa de importação e exportação - a Vital Import Export Corporation.
Trabalhava e estudava. Na véspera da prova definitiva das matérias básicas do USMLE, as sete da manhã, recebo um telefonema da minha irmã que morava na Califórnia me anunciando o resultado de um exame médico: ela estava com leucemia aguda.
Ao mesmo tempo minha mãe, no Brasil, estava fazendo uma colostomia definitiva - a colocação de uma bolsa externa no orifício feito no intestino - ocasionada pelo retorno de um tumor.
Meu casamento, já completamente acabado, chegou ao fim, mas, somente para mim. Meses depois disse ao meu marido que queria o divórcio.
Tinha sofrido e estava sofrendo por desafios maiores que esse amor destroçado.
Era demais para mim tentar refazer a minha vida amorosa com aquele homem.
Estava fora dos meus limites.
Enfrentei provas e uma dor muito profunda: a de ser médica e estar longe de minha mãe, justamente nesse momento.
Fiz das tripas coração.
De Nova York ligava diariamente, bem cedinho, para o Brasil e à noite para a confortar minha irmã em Los Angeles.
Foram vários meses de quimioterapia para as duas.
Algum tempo depois minha irmã fez uma irradiação de corpo inteiro. Fui vê-la. Um sofrimento atroz.
Época em que pude ficar ao lado dela todo o tempo.
Enquanto acompanhava também o tratamento de minha mãe pesquisei incessantemente.
Li todos os autores possíveis, revi todas as pesquisas para casos como o dela.
Foi aí que descobri um produto oriundo do mar. Pelos estudos médicos ESTES, em doses maciças, têm efeito antineoangiogênico, isto é não permitem a formação de novos vasos sangüíneos. Com isso, os tumores passam a ser menos alimentados. Preparei um super dieta alimentar aliada a vitaminas, ervas medicinais e sais minerais.
Tudo o que tinha aprendido com a medicina alternativa americana apliquei em minha mãe.
Ela chegou a tomar 30 cápsulas DO PRODUTO. Isso, junto com a quimioterapia mais os suplementos de vitaminas e ervas.
Num dia de profunda desesperança chegou a perguntar ao oncologista se o tratamento com a quimioterapia era para curar ou para que ela morresse sem dor.
E ele respondeu:
- É para morrer sem dor.
Vi no semblante de minha mãe a melancolia de um desespero surdo.
Já sem lágrimas.
Saímos de lá e insisti com ela:
- Não vamos desanimar.
Continuaremos com o nosso tratamento.
Confie em mim e em Deus.
Era um misto de sabedoria científica e muita vontade de ver minha mãe livre daquele tormento sem fim.
O organismo dela foi reagindo aos poucos.
As sessões de quimioterapia sendo reduzidas e eu intensificando o tratamento alternativo. Desde 1997 minha mãe não faz nenhum tratamento tradicional. Nunca deixei que parasse o tratamento alternativo
Tinha passado por mais um duro teste. Havia conseguido enfrentar a morte bem perto de mim.
Tínhamos vencido. Ela e eu.
Estava com minha mãe, bem ao meu lado, acreditando que estava sob controle.
Mas justamente com a medicina alternativa?
Queria saber muita mais a respeito.
Desde então desenvolvi protocolos que em conjunto com a medicina tradicional têm ajudado muitos pacientes a superarem a tragédia da quimioterapia e da irradiação.

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