ELA DOMINOU COM MAESTRIA TODAS AS ONDAS DO MAR...
MENOS UMA.

CÂNCER DE MAMA

A onda perfeita apareceu, se mostrou, se armou e veio.
Veio linda…
Mariana sabia muito bem como viajar sobre as águas e tirar delas todas as delícia de um maravilhoso surfar.
Como a deusa dos mares, seus cabelos molhados escorriam nas costas douradas pelo sol feito fios talhados pelo cinzel dos mestres escultores.
Ao caminhar pela praia a sombra exibida na areia silhueta a prancha debaixo do braço e o corpo esguio daqueles 34 anos que adoravam viver juntinho ao belo e quanto mais próximo da natureza, melhor.
No rosto de quem sabia, como ninguém, das ondas do mar e de como atrair, docemente, os muitos corações dos homens que se derretiam diante de tanta beleza, os olhos verdes.
Verdes como as águas do Caribe, como duas esmeraldas cuidadosamente lapidadas.
Mariana se encantava com a vida.
Queria sempre tirar dela o melhor dos prazeres.
Nos períodos de horário de verão sempre conseguia um jeitinho de terminar, com competência e rapidez, as tarefas diárias que o trabalho lhe impunha.
Olhava mais para o céu que para o relógio.
Não admitia perder o privilégio de ter uma hora a mais de sol sem estar junto ao mar e às emoções das ondas.
Se dizia regida pelos deuses da Bahia. Terra que amava e cultuava.
Para morar, escolheu o Rio de Janeiro. Era uma carioca das mais vibrantes.
Sempre rodeada por amigos, por vezes, desaparecia de tudo e de todos.
Era quando determinava para si momentos de felicidade que só a ela pertenciam. Sabia se esconder do mundo e ir correndo atender ao que o coração lhe ditava.
Estava sempre de bem com a vida.
Numa tarde, uma onda de silêncio, calou os amigos.
Mariana precisou ser operada inesperadamente. Os médicos decidiram retirar um tumor de uma das mamas, de onde, poucos anos antes tinha saído o alimento de um lindo e saudável menino.
- "Mas ela venceria. Sem dúvida."
Era a voz corrente entre todos os que a gostavam e sabiam da sua força de vida.
Alguns meses depois, a onda, que era para ser perfeita, dominável e entrar para o ranking de tantas enfrentadas por ela teve o percurso mudado cruelmente.
Se transformou num diabólico maremoto.

Mariana passou a freqüentar outros mares.
Se submeteu às ondas da retirada da primeira mama, da segunda, da quimioterapia, da perda dos cabelos, que para ela tinham mais força que os de Sansão, de inúmeras cirurgias… de dores e revoltas.
Mesmo assim, não perdeu um minuto possível.
Produziu, escreveu, amou como nunca o pequeno filho e como uma moleca corria pela cidade ostentando um boné de surfista, aquele com a aba para a parte de trás da cabeça.
Ah! Sim. O vestido vermelho e decotado…. para as festas que nunca deixou de ir, quando a dor lhe permitia.
Não se importava com o aparecer, vez por outra, das pontas dos esparadrapos que cobriam os sinais que seu corpo, impiedosamente, ostentava.
Ela e o vestido vermelho eram infinitamente mais atraentes que os intrusos curativos.
Mas, a intensidade da onda foi incontrolável.
Mariana tinha perdido o tempo certo de poder, quem sabe, mudar o percurso dessas águas.
Talvez até tenha percebido que algo estranho apareceu em uma das mamas.
Um caroço?
A reversão do mamilo?
A eles não concedeu a necessária e urgente atenção.
Será que teve medo de se informar?
Será que se fez de ignorante por opção?
Este segredo, como tantos que ela sempre soube guardar, levou consigo.
Não teremos nunca a certeza do porquê Mariana preferiu esconder dela própria o que poderia ter sido vencido se combatido desde o início.
Ou não?
Será que esse maldito tumor, como uma onda embolada do mar, também surgiu sem alardes, sem se revelar a um simples toque?
Outro mistério de Mariana que ficou sem ser desvendado.
Carregou-se consigo para a eternidade.

Marianas, Cláudias, Mariahs, Heloísas fazem parte de uma triste estatística. O ano de 2000 registrou um número apavorante:
- 28 mil mulheres do Brasil aumentaram o número de novos casos câncer de mama.
- 4.800 mulheres do Brasil morreram de câncer de mama neste mesmo ano.
Nos últimos 20 anos a incidência aumentou em 30 por cento entre as brasileiras.
Os números são do Instituto Nacional do Câncer.
Nunca, no Brasil, houve uma campanha tão ampla, tão informativa como a que assistimos a partir dos anos 90.
E as mulheres continuam morrendo de uma doença, que, se for detectada no início, pode ser afastada por muitos anos e até desaparecer. É imenso o número de recuperadas.
E por quê as estatísticas ainda mostram crescimento na incidência do câncer de mama?

Temos medo do diagnóstico?
Nos achamos imunes?
Este tempo tem que acabar. Temos que ter a consciência de que somos responsáveis pelo nosso corpo e dele temos de cuidar.
Não podemos esquecer que o temor e a insegurança de nos conhecermos pode nos levar ao convívio com uma tragédia muito maior.
Hoje a ciência já consegue detectar as mulheres que têm mais chances de ter o câncer de mama. Numa visita rotineira ao ginecologista não é nada difícil prever como andam as nossas possibilidades de sermos, ou não, dragadas por esse mal.
A literatura médica insiste que aquelas mulheres que têm história de câncer na família merecem mais atenção e exames mais precisos. Elas podem estar sujeitas às mutações genéticas - o que a ciência chama de BRCA 1 e BRCA 2.
As mutações genéticas podem ser detectadas por exames de sangue.
As mulheres, sujeitas as essas mutações, têm aumentadas em até 70 por cento a possibilidade de terem câncer de mama.
Para estes casos, estudiosos recomendam a mastectomia sub cutânea profilática, que é a retirada das glândulas mamarias, antes do aparecimento do câncer.
A época oportuna para a extração deve ser definida pelo médico, já que é importante que isto seja feito antes da mulher chegar à idade em que outras mulheres da família tiveram a doença.
Atualmente podemos perceber que nos países mais desenvolvimentos cientificamente a mastectomia subcutânea profilática é feita entre os 35 e 45 anos de idade. O Estado de Israel, que tem uma medicina socializada, paga a mastectomia para as mulheres que têm BRCA 1 e 2 positivos.
Nesses casos a incidência da doença é reduzida entre 80 e 90 por cento.
É uma decisão difícil. Claro que é.
Perder a glândula mamaria, ser mutilada, antes mesmo do aparecimento da doença, não é uma ação preventiva simples.
Nos amedronta.
Nos coloca na linha de frente contra a perda.
E que perda !!!
Mas, ainda de acordo com publicações médicas internacionais esta tem sido a prática mais eficiente para inibir o aparecimento do câncer de mama em mulheres com histórico familiar da doença.
A cirurgia preserva tanto a pele como o bico do peito e imediatamente é colocada uma prótese , presença tão constante hoje nos seios das mulheres que querem estar na moda e ter bustos como os das estrelas de Hollywood nos anos 50.
Para controlar as conseqüências das mutações genéticas, a medicina avançada tem proposto também o uso de substâncias com a sigla internacional de SERM's - Similar Estrogen Receptor Modulators.
Estas substâncias entram nos receptores do estrogênio, nas células, e por um mecanismo competitivo diminuem a ação do estrogênio no organismo.
Tais substâncias são oferecidas em comprimidos, quase sem efeito colaterais.
Como você pode perceber as possibilidades de prevenção estão avançadas e um médico, bem informado, poderá mudar o rumo que a sua genética lhe impõe.

Portanto, anote em sua agenda: ir ao médico que a acompanha e fazer o preventivo, uma vez por ano, é mais que sua obrigação.
É seu dever.
Embora os estudos, cada vez mais aprofundados, considerem a genética como um dos fatores importantes na formação do câncer de mama, eu acredito que o estilo de vida e a influência ambiental também têm tido papel fundamental quando falamos de câncer de mama.
Minha opinião e as pesquisas recentes mostram que maior que a própria tendência genética, nosso jeito de viver pode determinar nossa saúde, senão os trinta por cento das mulheres que têm marcador positivo - aquelas que estão sujeitas às mutações genéticas - não estariam livres da doença.
São eles:

Fatores ambientais:
os vírus, por modificarem a estrutura do DNA também podem induzir a um erro irreparável na multiplicação celular, levando ao câncer.
A teoria virótica, para o câncer de mama, não defende esta tese com muita ênfase, mas acredito que os vírus ainda terão grande participação no aumento da incidência desse tipo de tumor.

Irradiações:
qualquer tipo de irradiação afeta e compromete o epitélio ductal da mama - os canais condutores do leite materno até a superfície da pele.
Irradiações no tórax durante a infância da menina, a radioterapia, por exemplo, e os Raios X sucessivos estão relacionados a uma alta incidência de câncer de mama na vida adulta. O mesmo acontece com mulheres que vivem próximas à estações de alta tensão. Essas irradiações interferem na secreção de melatonina - o hormônio que induz ao sono e que revitaliza o sistema imunológico. Isso porque é na fase profunda do sono que o sistema imunológico é reativado.

Atenção:
as mamografias feitas com intervalos menores que um ano, principalmente em mulheres jovens, devem ser evitadas. O excesso de Raios-X não nos protegem em nada. Pelo contrário.

Substâncias químicas:
elas atuam nas células estimulando uma multiplicação descontrolada que vai aumentar o risco do câncer de mama. Neste grupo estão também as substâncias químicas usadas nos medicamentos.
A literatura médica tem mostrado que substâncias químicas, a cada dia, têm se transformado, mais e mais, em inimigas dos seres humanos quando usadas indevidamente e em doses excessivas..
É o velho e perigoso vício da auto medicação.
O remédio que fez ou faz bem à sua vizinha pode ser veneno para você.

Veja como os medicamentos podem ser de alto risco, no aparecimento do câncer de mama, quando usados sem a orientação médica:

- a Reserpina - usado para combater a hipertensão - triplica o risco do aparecimento do câncer
de mama, é o que diz a revista médica americana 'The Lancet ", em artigo publicado, pela
primeira vez, em 1974.

- a Hydralazina - um vaso dilatador também usado para diminuir a pressão sangüínea. De acordo com o "The Nacional Cancer Institute" o perigo está no uso a longo prazo.

- a Espironolactona - diurético administrado por um tempo superior ao necessário não é perigoso só para as mulheres. Nos homens pode provocar a ginecomastia - que é o aumento das mamas.

- o Atenolol - hipotensor cientificamente incentivador do câncer de mama. É preciso vigilância médica permanente.

- o Metronidazol - eficiente no tratamento da infecção por Cândida ou Tricômonas da vagina. Receitado para mulheres no mundo inteiro. As publicações médicas alertam para os perigos desta substância desde 1970.

- a Nitrofurazona - as pílulas, os cremes e as pomadas que contêm essa substância também podem aumentar a incidência de câncer de mama. A Nitrofurazona está presente principalmente nas conhecidas pomadas amarelas, usadas para ferimentos, infecções e queimaduras na pele.
As pesquisas nos mostram que em roedores o uso dessa substância química aumenta a incidência da doença. Os estudos sobre as conseqüências em seres humanos ainda não são conclusivos, mas é melhor prevenir que remediar.

- os Psicotrópicos - os tranqüilizantes, os antidepressivos e antipsicóticos aumentam a produção de prolactina. É a prolactina que estimula o desenvolvimento e o crescimento do câncer de mama "invasivo", que é o mais rápido deles, principalmente nas mulheres na pré-menopausa.

- As substâncias que baixam o Colesterol - elas bloqueiam o sistema antioxidante das células deixando-as sem defesa.

- os Antiácidos - alguns interferem no metabolismo do estrogênio, diminuindo o estrogênio bom e aumentando o ruim, aquele que induz a uma multiplicação celular sem critério, fortalecendo inclusive o crescimento das células cancerosas tanto nos organismos das mulheres como nos dos homens. Neles, evidencia a ginecosmatia - aumento da mamas.

- os Hormônios Sintéticos - na reposição hormonal com estrogênio sintético, usado por mais de 15 anos, aumenta a incidência de câncer de mama porque as células dos ductos condutores do leite materno ficam super estimuladas à multiplicação, inclusive à multiplicação das células cancerígenas também do ovário.

- os anticoncepcionais - quando usados precocemente, entre os 13 e 18 anos, e por tempo prolongado, alargam as possibilidades tanto do câncer de mama quanto o de útero, e infelizmente, no consenso geral, a boa mãe moderna é a que leva a filha de 15 anos ao médico para tomar pílula anticoncepcional.

- A bebida alcóolica , em excesso, interfere na metabolização hepática do estrogênio, fazendo com que neste processo, permaneça uma quantidade maior de estrogênio que a recomendada.
Além disso, a bebida alcoólica estimula, na mulher, a secreção de prolactina, hormônio, sabidamente, ligado ao carcinoma de mama.
As mulheres que já fazem reposição hormonal, mesmo com o hormônio natural, ficam mais suscetíveis ao álcool. Basta meia taça de vinho, diariamente, para que os níveis de estrogênio no sangue dobrem . O intenso consumo das bebidas alcoólicas e a precocidade do hábito de beber aumentam o risco do aparecimento do câncer de mama na idade madura.

- A obesidade faz com que o tecido adiposo metabolize mal os hormônios esteróides, transformando, assim, a testosterona em 16 OH estrona, que é o hormônio que superestimula as células dos ductos das mamas predispondo à degeneração maligna. A obesidade também contribui para esta doença pelo hiperinsulinismo, condição ligada ao consumo crônico e excessivo de carboidratos.
Não podemos nos esquecer que o sedentarismo, a falta de exercícios físicos freqüentes, é um grande incentivador do câncer mamário.
À medida que envelhecemos produzimos uma quantidade maior de postagladina E 2 que é, comprovadamente, cancerígena.
E existe um trio traiçoeiro para a saúde da mulher depois dos 30 anos. A conjuntura dos fatores bebida alcóolica + pílula anticoncepcional + fumo potencializam as possibilidades do câncer de mama num futuro que pode não estar tão longe assim de você.
A ação da nicotina até diminui o poder do estrogênio, mas a folha do tabaco é extremamente contaminada por pesticidas e agrotóxicos, principalmente nos cigarros.
Preste atenção na sua alimentação. As guloseimas ricas em carboidratos e a gordura saturada má, a da fritura, também não são recomendadas. Além de fazerem você aumentar de peso contribuem para o desenvolvimento de células cancerígenas.
A depressão também mina as defesas do seu corpo para esta doença.
Você já deve estar cansada de tantos nãos na sua vida. Imagino como deve, quase com certeza, estar pensando…
"- Mas não podemos fazer mais nada?
- Tudo nos leva a esta maldita doença?
- Como viver assim, onde quase tudo que fazemos está errado?
Ou ,então, enquanto você lia sobre tantas coisas proibidas, lembrou-se de uma amiga que nunca fez nada disso, nunca tomou um remedinho sem antes ir ao médico, nunca gostou de beber, nem de fumar, jamais passou por uma reposição hormonal, não tinha casos de câncer de mama na família e teve a doença…
Ou ainda, sua lembrança lhe trouxe a estória daquela sua tia avó ou daquela amiga da sua mãe que sempre viveu ao bel prazer de todos os excessos da vida e morreu de velha…
Sim, você pode e deve fazer uma avaliação de tudo o que lê sobre o câncer de mama. Mas não se esqueça de que hoje a informação está aí, ágil como nunca, para lhe instruir, lhe ajudar a se enxergar e a se prevenir. Casos individuais não expressam a ciência médica. Avaliações estatísticas com grandes amostras é que mostram a realidade.
Mas tenha sempre, bastante claro em você, que seu maior aliado é o médico.
Apresente a ele seus medos, suas inseguranças, suas certezas, suas dúvidas, a sua intuição…
Surpreenda qualquer possível sinal de que seu organismo pode não ser mais o mesmo. Antes que esse sinal mostre sua força.
Do nosso corpo, sabemos nós.
Ninguém o conhece melhor.
Não. Não são a sua amiga do clube, a sua colega de trabalho, nem a conhecida mulher daquele médico que poderão lhe mostrar o caminho mais acertado.
Esta decisão está nas suas mãos.
Aprenda a mandar em você mesma.
Se imponha cuidados.
Se dê o valor que você sempre imaginou só fosse reconhecido pelos outros.
Ninguém lhe reconhecerá melhor que você mesma.
Presentei-se com estas alegrias.
Viva saudavelmente, mesmo quando algo não correr tão bem assim.
O desenvolvimento da ciência está a nosso alcance. Dele temos que tirar tudo o que pudermos.
Você poderá melhorar em muito o seu estilo e a sua qualidade de vida. Sem sacrifícios. Sacrifícios não existem quando nos mostram o quão prazeiroso pode ser viver saudavelmente cada minuto de nossas vidas.
Um lembrete:
- Já marcou a sua consulta?
- Então marque agora.
As boas notícias e uma imensa alegria de viver com saúde lhe esperam.
- É quase certo. Corra lá.

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